O que sabemos de odontologia digital

O que sabemos de odontologia digital

por Fernanda Jabur

Ao retornar do IDS, a maior feira mundial de odontologia que acontece bianualmente, li inúmeros pareceres dos ditos líderes de opinião em odontologia digital, dizendo que não tiveram muitas novidades, ou que somos um dos melhores em odontologia, estando a muito à frente. Será mesmo? Vamos fazer uma reflexão a respeito?

Quantos deles participaram de pesquisas sobre odontologia digital, seja em hardwares ou softwares que os dê propriedade para falar a nós brasileiros para nos orgulharmos de nossa odontologia? Vou menos além, quantos deles têm real experiência com pelo menos 3 softwares ou hardwares para ter base de comparação?

Quantos cursos de odontologia digital você conhece no qual seu corpo docente seja heterogêneo o suficiente para apresentar uma discussão ampla e qualificada sobre os recursos disponíveis em odontologia digital?

Quando fazemos uma comparação rasa entre a odontologia e medicina, logo de cara nos deparamos com um abismo de reconhecimento entre as duas áreas, mas não é à toa. Na medicina, a maioria dos profissionais que se destaca é dos que são reconhecidos pelo seu conhecimento clínico ou científico, desde que sempre esteja embasado cientificamente.

Na odontologia, a maioria que se destaca está concentrada nos que têm mais likes em redes sociais, tiram fotos com artistas ou fazem antes e depois assustadores, com verdadeiras destruições de elementos dentais saudáveis em prol da “excelência” estética. Muitos deles, sequer escanearam os casos, necessitando de ajuda dos especialistas das empresas para isso.

Profissionais que defendem um produto ou serviço como melhores, sem sequer conseguir afirmar as diferenças entre um produto ou outro, com intuito de ter seu nome vinculado por pura vaidade, na necessidade de aceitação em fazer parte daquela “tribo” ou estar vinculado àquela empresa que o deixará “mais famoso”. Bem triste.

Do lado de cá, da área corporativa não é diferente; o nível dos profissionais é cada vez mais desqualificado, em que a falta de conhecimento e ética imperam pelo desespero da venda. O pior de tudo é a incapacidade de questionamento do profissional que comprará o equipamento, que acredita em qualquer informação.

Será que não falta uma campanha de valorização do conhecimento plural entre os chamados formadores de opinião?

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